segunda-feira, 23 de março de 2015

Fernando Pessoa


Fernando Pessoa:
castidade e dificuldades
financeiras

                            O baú do poeta


Nova edição revela facetas de Fernando Pessoa
e ilumina pontos de sua discreta biografia
                                          Carlos Graieb




O poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) é um sucesso de público  e crítica . Considerado unanimemente o melhor da língua  ao lado de Luís de Camões, Pessoa hoje é também saudado como um dos maiores de todos os tempos, em qualquer idioma. Ele é o único português que aparece entre os grandes em O Cânone  Ocidental elaborado pelo crítico americano Harold Bloom. Nas ultimas décadas , Pessoa também virou ídolo popular no Brasil e em Portugal. Ao lado de Che Guevara e Gandhi, o campeão de vendas daquelas camisetas que trazem frases impressas. As dele são sempre as mesmas: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena" e "O poeta é um fingidor". Pessoa, no entanto, é muito mais do que isso. Mesmo os fãs do poeta português conhecem pouco, proporcionalmente, de sua obra. Fernando Pessoa publicou apenas um livro em vida, Mensagem, e alguns versos em jornal. Boa parte de sua literatura ficou guardada numa arca de madeira escura, grandalhona, contendo exatamente 27.543 textos. Nos anos 40, uma parcela desse legado foi lançada numa primeira edição de sua obra completa, mas ficou faltando muita coisa. Os novos  começaram a vir à tona há cerca de quinze anos, em livros que só circularam entre especialistas. Apenas no ano passado, em Portugal, atingiram o grande público numa edição comercial da obra de Pessoa que saiu pela casa Assírio & Alvim de Lisboa. Essa nova edição, que deverá ter ao todo 23 volumes, começa ser publicada agora no Brasil pela Companhia das Letras. Os livros trará muitas surpresas mesmo para o leitor habitual de Pessoa.




Como todo mundo aprendeu na escola, o poeta português o famoso pelas personalidades literárias que criou. As mais famosas são o clássico Ricardo Reis, o pagão Alberto Caeiro e o atormentado Álvaro de Campos, chamados heterônimos porque tinham estilo próprio e até temperamentos diferentes. Mais alguns poucos eram conhecidos: o guarda-livros Bernardo Soares e os ingleses Charles Anon e Alexander Search. Estudos recentes demonstraram que chegam a 72 as personalidades literárias de Pessoa. Também trazem subsídios para iluminar a discreta biografia do poeta. Ele, que jamais teve emprego fixo, viveu apertado com dúvidas e acossado pela pobreza. Agora, pode-se entender melhor suas posições políticas  e até sua sexualidade. Por último, as pesquisas restabelecem o texto original de alguns poemas de Pessoa que haviam sido publicados anteriormente de forma errada.

Machista — Talvez os dados mais impressionantes que emergem dos textos recém-descobertos sejam os relativos às novas personalidades literárias do autor. Muitos merecem leitura, como Antônio Mora e o Barão de Teive. O primeiro é filósofo. Ele teoriza sobre um certo neopaganismo e mostra o lado provocador de Pessoa, com passagens polêmicas que levariam o poeta à execração pública em tempos politicamente corretos. Num fragmento encontrado pela professora portuguesa Teresa Rita Lopes, flagra-se o machista Mora dizendo o seguinte: "As três classes mais profundamente viciadas, na sua missão social, pelo influxo das ideias modernas, são as mulheres, o povo e os políticos. A mulher, na nossa época, supõe-se com direito a ter uma personalidade; o que pode parecer 'justo', 'lógico ' e outras coisas parecidas; mas que infelizmente foi de outro modo disposto pela natureza". Já o Barão de Teive é um pouco parecido com Bernardo Soares, o autor do famoso Livro do Desassossego. Pessoa inventou a história de que teria encontrado "o único  manuscrito" do barão o numa gaveta. A Assírio & Alvim pretende publicar livros com textos de Mora e de Teive. Segundo Teresa Rita Lopes, que há mais de três décadas se dedica ao estudo de Pessoa e já produziu alguns ensaios marcantes, como os dois volumes de Pessoa por Conhecer, as varias personalidades literárias inventadas por Pessoa eram como figuras de um romance, ou diário, que ele foi "escrevendo para viver e vivendo para escrever".


Os novos textos já publicados em Portugal revelam facetas inusitadas do talento de Pessoa. Ele gostava, por exemplo, de escrever poemas infantis para as sobrinhas. Esses poucos textos já estão reunidos num volume, O Melhor do Mundo São as Crianças. Em A Língua  Portuguesa, o poeta reflete longamente sobre o idioma dando a entender que, hoje, seria um opositor feroz da reforma ortográfica. Existe ainda o Pessoa ficcionista, autor da novela A Hora do Diabo, que tinha inclusive planos de redigir contos policiais. Há o criador de chistes e piadas e o inventor de charadas e jogos. Note-se, aliás, que boa parte dos trabalhos mencionados é em prosa. Pouca gente sabe, mas a obra em prosa de Fernando Pessoa é mais extensa que a política.


Sexualidade "branca" — Pessoa namorou uma única mulher, Ofélia Queiroz, que parece ter-lhe inspirado uns poemas ruins e várias cartas ("todas as cartas de amor são ridículas" ). Não se sabe de outras aventuras sexuais, de qualquer tipo, que possa ter tido. Foi ele homossexual? Ou teve uma sexualidade "branca", inexistente? Só há especulações. Ele sempre se achou feio. E triste. Normalmente é lembrado como um homem tímido, dado a devaneios metafísicos (algo que está bem documentado em sua poesia) e a explorações místicas. Pessoa, que pensou em ser astrólogo profissional, usando o pseudônimo Rafael Baldaya, guiava-se por seu horóscopo . Certa vez, deixou a poetisa brasileira Cecília Meireles aguardando em um café porque os astros lhe diziam que o dia não era propício para conhecer novas pessoas.

Ao contrário do que se pensava, Pessoa escreveu sobre sexo. Há no espolio diversos poemas e textos a respeito de amor e de mulheres, no sentido bíblico. Frequentemente  eles são surpreendentes. "O desdobramento do eu é um fenômeno  em grande número de casos de masturbares", escreveu Pessoa, certamente pensando em seus próprios  heterônimas. Um deles, o já citado Antônio  Mora, defende que a mulher deve ter experiências sexuais antes do casamento, em contraste com o que rezava o costume da época . Em outra passagem desconhecida, Pessoa joga com a ideia da homossexualidade: Álvaro de Campos faz insinuações a respeito de Ricardo Reis, que teria tentado disfarçar, "pela sintaxe", o fato de que uma de suas odes é dirigida a um rapaz. Segundo Teresa Rita Lopes, o mais provável é que Pessoa fosse casto, não gay. "Se não assumiu, é porque não tinha de assumir. Ele não teria problemas quanto a isso, já que defendeu sem preconceitos seus amigos homossexuais, como o escritor Antônio  Botto".

As primeiras incursões no espólio literário de Fernando Pessoa ocorreram na década de 40. Ligados à editora portuguesa ética, esses exploradores desentranharam do baú escritos fundamentais. As edições da ética têm o mérito  do pioneirismo e tornaram-se canônicas pelos cinquenta anos seguintes. Serviram de base, por exemplo, para as edições brasileiras mais utilizadas, a da Nova Aguilar e a da Nova Fronteira. Esses pioneiros, contudo, fizeram certa bagunça a remexendo a papelada, que só voltou a ter ordem em 1968, quando foi catalogada. Também mandaram para a gráfica poemas em que havia duvidas, deixando para os tipógrafos a responsabilidade de "acertar" o texto. Ate hoje isso compromete a boa leitura de alguns clássicos. É o caso de "Passagem das horas", extenso poema assinado pelo heterônimo  Álvaro  de Campos. Em 1990, a pesquisadora brasileira Cleonice Berardinelli, membro da Equipe Pessoa, uma comissão o nomeada pelo governo português  para fazer edições e críticas  da obra do poeta, descobriu que a edição  da ética simplesmente invertia o posicionamento de dois grandes trechos do poema, alterando sua interpretação.  Em outros casos, havia erros de grafia que modificavam completamente o sentido, como no verso Assim sou a máscara  — que durante cinquenta   anos foi lido como Assim sem a máscara .




No caso das edições  da Assírio  & Alvim, a responsabilidade pelo texto cabe a Teresa Rita Lopes e seus colaboradores. "Não o estamos fazendo edições as  críticas , mas edições criteriosas", diz a pesquisadora. "Os versos de Pessoa costumam ter muitas variantes, sem indicação o de qual era a opção final. Para dar conta disso, redigimos as notas necessárias, mas evitando que esse aparato técnico  se transforme num problema para o leitor comum." Existe, porém, uma questão  jurídica em torno dessa nova edição o que começa a sair no Brasil. A obra de Pessoa, que havia caído em domínio  público  em 1985, voltou a ser patrimônio  dos herdeiros do poeta no ano passado, graças  a uma mudança na legislação europeia. Esses herdeiros concederam exclusividade de publicação à Assírio & Alvim e, em razão disso, as outras edições de Pessoa que existiam em Portugal (algumas boas, outras muito ruins) estão saindo aos poucos de circulação. A pergunta é : será que essa legislação  vale também  no Brasil? O assunto dá pano para mangas. Segundo o diretor da Assírio & Alvim, Manuel Hermínio  Monteiro, a expectativa é de que os livros lançados  por outras editoras, que não  a Companhia das Letras, também deixem o mercado, sem que para isso seja necessária  ação na Justiça. Tudo indica, porém, que uma nova pendenga judicial vem aí.



Texto de apoio


"É raro um país e uma língua ganharem quatro grandes poetas em um só dia. Foi o que aconteceu em Lisboa a 8 de março de 1914". Dessa forma o crítico George Steiner descreveu no jornal americano The New York Times o surgimento dos quatro principais heterônimos de Fernando Pessoa (veja o quadro). Esse inusitado nascimento quádruplo é apenas um dos marcos do fascinante universo literário criado por esse poeta português, morto em 1935, e receptáculo de nada menos que 72 heterônimos. Juntos, eles escreveram a obra de Pessoa, cada um no seu estilo literário, cada um com sua visão de mundo, seus sonhos e idiossincrasias. A genialidade do poeta está nessa rara capacidade de enxergar o mundo, e dele fazer poesia, incorporando profundamente tantas visões diferentes. Este plano de aula tem como conteúdos a despersonalização, a criação literária e a literatura portuguesa moderna.


Muitas têm sido as explicações propostas para a heteronímia. A melhor delas é a do próprio Fernando Pessoa, que escreveu que "o ponto central da minha personalidade como artista é que sou um poeta dramático; tenho, continuamente, em tudo quanto escrevo, a exaltação íntima do poeta e a despersonalização do dramaturgo. Vôo outro - eis tudo. (...) Desde que o crítico fixe, porém, que sou essencialmente poeta dramático, tem a chave da minha personalidade, no que pode interessá-lo a ele, ou a qualquer pessoa que não seja um psiquiatra, que, por hipótese, o crítico não tem que ser. Munido desta chave, ele pode abrir lentamente todas as fechaduras da minha expressão".

Fernando Pessoa fornece nesse trecho a "chave" para a análise de seu trabalho. O poeta tem a capacidade de "voar outro", ou seja, é capaz de construir uma pessoa inexistente que sente realmente outras emoções e sensações. Processo semelhante acontece quando um ator representa personagens.

A criação dos heterônimos é, portanto, um processo artístico consciente e não deve ser encarada como algo "estranho". Na origem de tudo está a capacidade de despersonalizar-se. Com inteligência e imaginação consegue-se viver analiticamente um personagem que acaba por ser um novo escritor, "com estilo próprio", formado por um "grupo de estados de alma mais aproximados".

Um drama feito de gente

Fernando Pessoa transforma a despersonalização dramática em processo de criação literária tão perfeitamente que muitas vezes temos dificuldade de entender quem eram realmente os heterônimos. Como, afinal, ele conseguia criar tantos personagens? De novo o próprio poeta esclarece: "O que Fernando Pessoa escreve pertence a duas categorias de obras, a que poderemos chamar ortônimas e heterônimas. Não se poderá dizer que são anônimas e pseudônimas (...). A obra pseudônima é do autor em sua pessoa, salvo no nome que assina; a heterônima é do autor fora de sua pessoa, é de uma individualidade completa fabricada por ele, como seriam os dizeres de qualquer personagem de qualquer drama seu. (...) Estas individualidades devem ser consideradas como distintas da do autor delas. Cada uma forma uma espécie de drama; e todas elas juntas formam outro drama. (...) É um drama em gente, em vez de em atos".

 
A palavra pseudônimo é formada pelos radicais gregos pseudo, "falso", e onimo, "nome" e designa o nome falso adotado por um escritor para publicar seus textos. Heterônimo (do grego hetero, "outro", "diferente", e onimo, "nome") indica uma "individualidade literária completa", ou seja, um escritor e sua forma pessoal de expressão - criados do mesmo modo como se criam personagens e falas no processo teatral (ou dramático, que é a palavra preferida por Pessoa).

Fernando era também heterônimo
Os principais heterônimos criados por Fernando Pessoa foram Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, a cujas obras se deve somar a de Fernando Pessoa ortônimo (do grego orto, correto e onimo, nome). Entre esses principais heterônimos existe, segundo Pessoa, uma relação importante: a obra poética de Alberto Caeiro influenciou os poemas dos outros três. Nesse "conjunto dramático" deve-se incluir a obra de Fernando Pessoa ortônimo - que, no jogo criado pelo poeta, não deve ser visto como o "verdadeiro" Fernando Pessoa, mas como mais um heterônimo. À obra dos quatro principais heterônimos deve ser somado o trabalho de outros 68 personagens, muitos deles apenas esboçados, entre eles Alexander Search, Antônio Mora, Antônio Seabra, Barão de Teive, Bernardo Soares, Carlos Otto, Coelho Pacheco, Faustino Antunes e Henry More.


Alberto Caeiro 
É o próprio paganista, mestre dos outros heterônimos, pensava de forma simples, sem questionamentos. Para Caeiro, não há mistérios nas coisas. A alma isolada é inexistente, pois é algo que não se vê. Ela só passa a existir quando se une ao corpo, que é palpável e visível. Cristo existe desde que materializado - Cristo pode ser uma flor... Na poesia, tem uma estética na qual a imperfeição compõe uma obra desarmoniosa, sem preocupação com estética e rimas - é tido como poeta desleixado. A própria natureza é sempre desigual, por isso, para ele, não existe harmonia, as coisas são diferentes umas das outras. Caeiro não se prende a nada - viveu por viver. Para ele, viver é normal. Caeiro tinha um estilo direto e simples, mas a compreensão é complexa, já que o poeta faz reflexões profundas em seus escritos. 

Alberto só escrevia poesia, não achava possível retratar a realidade através da prosa. Contra o pensamento filosófico, o escritor acredita que sentir é mais importante que pensar. Uma das obras mais conhecidas é “O Guardador de Rebanhos”

Álvaro de Campos 

Tem a visão multifacetada do real e a crise de identidade é seu marco. Era solitário e depressivo. Viveu tudo na vida intensamente. Possuía a filosofia do niilismo - nada valeu a pena, tudo foi em vão. Expressava tédio por um mundo que não o aceitava, colocava-se com linguagem despida de beleza. Sua poesia era grotesca, formada em um gênero literário desqualificado, sob a finalidade de aliviar-nos a beleza. O seu esforço em conhecer a si próprio fragmenta o seu próprio eu. Mostra-se impotente frente ao real.

Apesar de português, o escritor foi educado em inglês, o que o faz sempre se sentir um estrangeiro. O poeta teve fases diferentes em sua literatura, no começo tinha proximidade com o simbolismo, depois com o futurismo e então a visão niilista ficou presente nas suas obras. 
Na primeira fase, é o tédio e a busca por experiências diferentes que marcam a poesia. A segunda é marcada pela otimismo da civilização. E a terceira é mais introspectiva e apresenta uma poesia pessimista. Campos apostava em uma linguagem ousada para a época, mais livre. 
Ao contrário da racionalidade de Ricardo Reis, Campos coloca emoção em seus escritos. É considerado o alter ego de Pessoa. 


Ricardo Reis

Utiliza estilo refinado na forma poética, mediado pela frieza e pelo controle emocional. Oferece reflexão sobre as coisas, define a vida como passageira, vamos morrer um dia - Carpe Diem. É considerado um autor clássico por utilizar figuras mitológicas e vocabulário requintado. Para ele, o que vale é o real visto em sua superfície, apreendido pelos sentidos. Para Ricardo Reis, a religião é pagã (Cristo é só mais um Deus), a natureza é a pluralidade das coisas. O que predomina é a razão sobre a sensibilidade, o homem é impotente perante a morte, sendo incapaz de superá-la.O médico que acredita na monarquia tinha uma escrita mais tradicional, a linguagem utilizada pelo heterônimo é culta e apresenta um lado clássico. Ricardo foi viver no Brasil quando a república foi proclamada em Portugal. Os textos de Reis foram publicados na revista “Athena” e na “Presença”. 
O autor acredita na busca pela tranquilidade através do epicurismo, uma doutrina que acredita em evitar a dor, aproveitar a vida e não ter medo de morrer. E também do estoicismo, que acredita na importância da razão estar acima da paixão e na aceitação dos limites. 
Como Pessoa não determinou sua morte, José Saramago, outro importante autor português, escreveu o livro “O Ano da Morte de Ricardo Reis” 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

METODOLOGIA PARA OS TRABALHOS DA DISCIPLINA DE LÍNGUA PORTUGUESA


1 - TRABALHOS FEITOS EM CASA IMPRESSOS
1.1 – Os trabalhos devem ser impressos em papel A4 na cor branca ou parda (reciclado).
1.2 – O texto deve ser digitado:

  • Fonte (tipo de letra) Arial;
  • Tamanho da fonte nº 12;
  • Espaçamento entre as linhas 1,5. Para isso, entrar no item “parágrafo” da barra de ferramentas (em alguns programas é preciso acessar antes o item “configurações”) depois procurar a janela “espaçamento”, selecionar “1,5 linhas” e clicar em "ok".
  • Corpo de texto deve ser justificado(selecionar todo o texto e pressionar Ctrl + j).
 1.3 - Para destacar uma palavra deve ser usado apenas o recurso negrito.

 1.4 -  Palavras estrangeiras, gírias ou que sejam citações de outra pessoa, devem estar em itálico.
Exemplo de uso de uma palavra estrangeira:
Hoje é indispensável para a elaboração de uma pesquisa o uso de materiais disponíveis on-line.

Exemplo de uso de uma citação:
Marx disse que a religião é o ópio do povo para criticar os líderes religiosos e a elite que se aproveitavam de sua influência sobre as massas para manipulá-las.

1.5 – O título deve estar em Arial 14 e em negrito para se destacar do texto.

1.6 – No final do trabalho deve estar sempre a fonte de pesquisa, conhecida como bibliografia. Isso significa citar o livro e/ou a página da internet usados para conseguir o conteúdo.

Caso a fonte seja um livro, colocar na ordem:
SOBRENOME, PRENOME. Título (em destaque): subtítulo (se houver e sem destaque). Edição (se houver). Local de publicação: Editora, data de publicação da obra. Nº de páginas ou volume. 
(Coleção ou série)

Exemplo de um livro com um único autor:
ROCHA, Aristides. O governo brasileiro e a política do século XXI. 3ª ed. São Paulo, Editora da USP, 2004.

· Exemplo de um Livro com mais de um autor:
LOURENÇO, Eva; MARCONI, Maria. Ensino Superior. 5 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

Já para pesquisas cuja fonte é uma página da internet, deve constar na ordem:
Disponivel em: (o endereço da página), data de acesso: (data).

· Exemplo:
Disponível em: http://www.machadodeassis.org.br/ , acessado em : 16 de fevereiro de 2015.

1.7 – O trabalho deve ser identificado pelo nome completo do aluno ou alunos, número de chamada, série e turma.


  MODELO  DE CAPA PARA TRABALHO ESCOLAR

                   ..........................................................................................................................
                                       EE. PROF. SEBASTIÃO RAMOS NOGUEIRA
                                                         ENSINO MÉDIO







                                               TÍTULO DO TRABALHO


            TRABALHO SOLICITADO PELA    PROFESSORA  ................................ NA DISCIPLINA DE  LÍNGUA PORTUGUESA NO REQUISITO DE  NOTA  DO 1 BIMESTRE.









ALUNO..................................................N...............
SÉRIE............................
                                                     






                                                            LOCAL   
                                                             DATA    



 ...................................................................................................................................                        

                                         

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Informações sobre a obra Memorias Postumas de Brás Cubas

Contexto Histórico
  • Surgiu a partir da segunda metade do século XIX.
  • As ideias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço.
  • As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico.
  • Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobretudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos freqüentes com as grandes cidades europeias.
  • Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado.
NARRADOR
1a pessoa
 “defundo autor” 
 pressunção, egocentrismo 
 instabilidade, volubilidade 
  niilismo: pessimismo acentuado

Personagens 
A família
  irmã Sabina: disputa de herança 
 cunhado Cotrim: falta de escrúpulos da elite
 As mulheres Marcela: prostituta de luxo
                      Eugênia: pobre, coxa 
                      Virgília: amante 
                      Nhã-Loló: pretendente
 Escravos e dependentes Prudêncio: de oprimido a opressor 
                                          D. Plácida: marginalização do trabalho

SÍNTESE - RESUMO
Publicado em folhetim em 1880, na Revista Brasileira, e editado em livro no ano seguinte, Memórias póstumas de Brás é a autobiografia da personagem Brás Cubas, que, depois de morto, resolve escrever  suas memórias. Intitulando-se "defunto-autor", Brás Cubas propõe-se a fazer a retrospectiva de sua vida, o que realiza com o distanciamento crítico e irônico de quem já não se prende às convenções sociais.    
                 Assim, entre os fatos narrados, destacam-se: os amores juvenis de Brás Cubas por Marcela, uma mulher vulgar a quem ele amou e por quem foi amado durante "quinze meses e onze contos de réis", suas aspirações à vida literária e política; sua amizade com o filósofo Quincas Borba; o caso com Virgília - de quem quase se tornou marido, num casamento arranjado, e de quem mais tarde se tornaria amante; o casamento de Vigília com seu rival Lobo Neves.

ESTILO DE MACHADO DE ASSIS
          A escrita de Machado de Assis tem um estilo bastante peculiar, marcado pela erudição e pela ironia. Assim, o escritor refere-se frequentemente a passagens de obras clássicas, das quais era um leitor sistemático, adaptando-as para as situações de seus personagens e narrativas.
         A ironia fina presente nos textos, capaz de estabelecer ambiguidades e impasses que não se solucionam, causa um efeito de distanciamento em relação aos fatos narrados. Mas, ao contrário do que possa sugerir, essa postura distanciada não deve ser entendida como imparcial. Ao contrário, o distanciamento irônico que caracteriza o discurso de muitos dos narradores criados pelo autor favorece o estabelecimento de um ponto de vista crítico, corrosivo, que questiona a realidade e aponta as suas contradições.

         O ritmo fragmentado das narrativas e as constantes digressões dos narradores, que muitas vezes se desviam do assunto que estavam abordando para fazer esclarecimento ou críticas, exigem uma leitura atenta e levam o leitor a uma reflexão mais cuidadosa sobre a matéria narrada.


TRABALHO - MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

ROTEIRO DE LEITURA

TRABALHO DEVE SER ENTREGUE NO FINAL DE MARÇO DE 2015
OBRA :   MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
AUTOR: MACHADO DE ASSIS

INSTRUÇÕES
        RESPONDA  -     1º    parte
1.                                                               1  -Biografia: ( Machado de Assis )
2.                                                               2-  Contexto histórico:
3.                                                               3-  Narrador:
4.                                                               4-   Personagens:
5.                                                               5-    Estilos de Machado de Assis presentes na obra:


2º parte - Questões sobre a obra Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de  Assis
1.       (Fuvest-SP) O romance Memórias póstumas de Brás Cubas publicou-se num momento significativo da literatura brasileira, tanto para a carreira de Machado de Assis, como para o desenvolvimento da prosa no Brasil. Tornou-se um  divisor entre quais períodos literários?

2.  Leia o  capítulo I  -  “Óbito do autor”.
 Explique a distinção entre “autor defunto” e “defunto autor” feita pelo Narrador.

3.Leia o capítulo XXXIII  - “Bem-aventurados os que não descem”
Ao conhecer Eugênia no alto da Tijuca, onde passava uma temporada depois da morte de sua mãe, Brás Cubas hesitou em descer (isto é, voltar) à cidade, onde o pai o esperava com uma noiva e uma carreira política.
Note que a palavra “pé” é insistentemente repetida no trecho.
a)      Qual o motivo dessa insistência?



b)      Como essa repetição antecipa a decisão de Brás Cubas entre voltar para a casa da família ou permanecer na Tijuca?


4. Lei a o capítulo CXV – “O almoço”
No trecho, o Narrador indica duas reações que poderia ter diante da partida da amada. Cada uma delas pode ser associada a uma escola literária. Quais são essas duas reações? A que escola cada uma pode ser associada? Justifique sua resposta.


5. Leia o capítulo  LXVIII - “O vergalho”
         Notas: Usar o vergalho, isto é, o chicote.
a)       Este trecho remete a episódio anterior, da mesma obra, no qual integram Brás Cubas e Prudêncio, então crianças. Compare sucintamente os papéis que as personagens desempenham nesses episódios.

      b)       Neste trecho, a variedade linguística utilizada pelas personagens contribui para caracterizá-las? Explique.

OBS; PARA FAZER  O TRABALHO PESQUISE AS SEGUINTES POSTAGENS;
1-CAPÍTULOS REFERENTES AO TRABALHO - MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS.

2- INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA.

 3- METODOLOGIA PARA OS TRABALHOS DE LÍNGUA PORTUGUESA.

CAPÍTULOS REFENTES AO TRABALHO MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

CAPÍTULO 1
Óbito do Autor
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — "Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado."
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego, como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, — a filha, um lírio-do-vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
— Morto! morto! dizia consigo.
É a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustre viajante viu desferirem o voo desde o Ilisso às ribas africanas, sem embargo das ruínas e dos tempos, — a imaginação dessa senhora também voou por sobre os destroços presentes até às ribas de uma África juvenil... Deixá-la ir; lá iremos mais tarde; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Agora, quero morrer tranquilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste do que podia parecer. De certo ponto em diante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me no peito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a consciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fazia-se-me planta, e pedra, e lodo, e coisa nenhuma.
Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.

CAPÍTULO 33
Bem-aventurados os que não descem
O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma. O melhor que há, quando se não resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora; foi o que eu fiz; lancei mão de uma toalha e enxotei essa outra borboleta preta, que me adejava no cérebro. Fiquei aliviado e fui dormir. Mas o sonho, que é uma fresta do espírito, deixou novamente entrar o bichinho, e ai fiquei eu a noite toda a cavar o mistério, sem explicá-lo.
Amanheceu chovendo, transferi a descida; mas no outro dia, a manhã era límpida e azul, e apesar disso deixei-me ficar, não menos que no terceiro dia, e no quarto, até o fim da semana. Manhãs bonitas, frescas, convidativas; lá embaixo a família a chamar-me, e a noiva, e o arlamento, e eu sem acudir a coisa nenhuma, enlevado ao pé da minha Vênus Manca. Enlevado é uma maneira de realçar o estilo; não havia enlevo, mas gosto, uma certa satisfação física e moral.Queria-lhe, é verdade; ao pé dessa criatura tão singela, filha espúria e coxa, feita de amor e desprezo, ao pé dela sentia-me bem, e ela creio que ainda se sentia melhor, ao pé de mim. E isto na Tijuca. Uma simples égloga. Dona Eusébia vigiava-nos, mas pouco; temperava a necessidade com a conveniência. A filha, nessa primeira explosão da natureza, entregava-me a alma em flor.
— O senhor desce amanhã? Disse-me ela no sábado.
— Pretendo.
— Não desça.
Não desci, e acrescentei um versículo ao Evangelho: — Bem-aventurados os que não descem, porque deles é o primeiro beijo das moças. Com efeito, foi no domingo esse primeiro beijo de Eugênia, — o primeiro que nenhum outro varão jamais lhe tomara, e não furtado ou arrebatado, mas candidamente entregue, como um devedor honesto paga uma dívida. Pobre Eugênia! Se tu soubesses que idéias me vagavam pela mente fora naquela ocasião! Tu, trêmula de comoção, com os braços nos meus ombros, a contemplar em mim o teu bem-vindo esposo, e eu com os olhos em 1814, na moita, no Vilaça, e a suspeitar que não podias mentir ao teu sangue, à tua origem...
D. Eusébia entrou inesperadamente, mas não tão súbita, que nos apanhasse ao pé um do outro. Eu fui até a janela. Eugênia sentou-se a consertar uma das tranças. Que dissimulação graciosa! que arte infinita e delicada! que tartufice profunda! e tudo isso natural, vivo, não estudado, natural como o apetite, natural como o sono. Tanto melhor! Dona Eusébia não suspeitou nada.

CAPÍTULO 68
O vergalho
Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fugir; gemia somente estas únicas palavras: — "Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!" Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica, respondia com uma vergalhada nova.
— Toma, diabo! dizia ele; toma mais perdão, bêbado!
— Meu senhor! gemia o outro.
— Cala a boca, besta! replicava o vergalho.
Parei, olhei... justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio, — o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a bênção; perguntei-lhe se aquele preto era escravo dele.
— É, sim nhonhô.
— Fez-te alguma coisa?
— É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.
— Está bom, perdoa-lhe, disse eu.
— Pois não, nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!
Saí do grupo, que me olhava espantado e cochichava as suas conjeturas. Segui caminho, a desfiar uma infinidade de reflexões, que sinto haver inteiramente perdido; aliás, seria matéria para um bom capítulo, e talvez alegre. Eu gosto dos capítulos alegres; é o meu fraco. Exteriormente, era torvo o episódio do Valongo; mas só exteriormente. Logo que meti mais dentro a faca do raciocínio achei-lhe um miolo gaiato, fino e até profundo. Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!

CAPÍTULO 115
O almoço
Não a vi partir; mas à hora marcada senti alguma coisa que não era dor nem prazer, uma coisa mista, alívio e saudade, tudo misturado, em iguais doses. Não se irrite o leitor com esta confissão. Eu bem sei que, para titilar-lhe os nervos da fantasia, devia padecer um grande desespero, derramar algumas lágrimas, e não almoçar. Seria romanesco; mas não seria biográfico. A realidade pura é que eu almocei, como nos demais dias, acudindo ao coração com as lembranças da minha aventura, e ao estômago com os acepipes de M. Prudhon...
...Velhos do meu tempo acaso vos lembrai desse mestre cozinheiro do Hotel Pharoux, um sujeito que, segundo dizia o dono da casa, havia servido nos famosos Véry e Véfour, de Paris, e mais nos palácios do Conde Molé e do Duque de la Rochefoucauld? Era insigne. Entrou no Rio de Janeiro com a polca... A polca, M. Prudhon, o Tivoli, o baile dos estrangeiros, o Cassino, eis algumas das melhores recordações daquele tempo; mas sobretudo os acepipes do mestre eram deliciosos.
Eram, e naquela manhã parece que o diabo do homem adivinhara a nossa catástrofe. Jamais o engenho e a arte lhe foram tão propícios. Que requinte de temperos! que ternura de carnes! que rebuscado de formas! Comia-se com a boca, com os olhos, com o nariz. Não guardei a conta desse dia; sei que foi cara. Ai dor! Era-me preciso enterrar magnificamente os meus amores. Eles lá iam, mar em fora, no espaço e no tempo, e eu ficava-me ali numa ponta de mesa, com os meus quarenta e tantos anos, tão vadios e tão vazios; ficava-me para os não ver nunca mais, porque ela poderia tornar e tornou, mas o eflúvioda manhã quem é que o pediu ao crepúsculo da tarde?

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

CONCORDÂNCIA VERBAL

EXERCÍCIOS -  CONCORDÂNCIA VERBAL – 4º bimestre - 2014
1). ...................... havido dúvidas sobre a capacidade do sistema de saúde cubano. (tem, têm)
2) .................... sido levantadas dúvidas sobre a capacidade do sistema de saúde cubano. . (tem, têm)
3)Será que o sistema de saúde cubano ................. suscitado dúvidas sobre sua eficácia? . (tem, têm)
4)Que dúvidas ...................propalado os adversários de Cuba sobre seu sistema de saúde? . (tem, têm)
5)A quantas dúvidas.............. dado margem o sistema de saúde de Cuba? . (tem, têm)
6)Não se .................... aos adolescentes de hoje a exclusiva responsabilidade pelo fato, lastimável, de aspirarem a tão pouco. (impute imputem)
7)A presença maciça, em nossas telas, de tantas ficções, não nos .................... fazer crer que sejamos capazes de sonhar mais do que as gerações passadas. (deve , devem)
8) Se aos jovens de hoje .........................sonhar no ritmo das ficções projetadas em nossas telas, múltiplos e ágeis devaneios se processariam. (coubesse, coubessem)
9)......................... como versões melhoradas da nossa vida acomodada de hoje o vestígio dos nossos sonhos de ontem. (Ficou, Ficaram)
10) Ao pretender que se ..........................os estudantes para as exigências do mercado de trabalho, o professor de nossas escolas impede-os de sonhar. (mobilize, mobilizem)
11) Para que não ......................o sonho de um jovem, as imposições do mercado de trabalho devem ter sua importância relativizada.(restrinja, restrinjam)
12)Seria essencial que nunca ........................aos adolescentes, mesmo em nossos dias pragmáticos, a liberdade inclusa nos sonhos. (faltasse, faltassem
13)Entre as duas hipóteses que ............................, considera o autor que o elemento comum é redução da capacidade de sonhar.(examinou, examinaram)
14)Não se .................................às escolas a missão exclusiva de preparar os jovens para sua inserção no mercado de trabalho. (delega, delegam)
15)É pena que ...............................aos jovens a referência dos sonhos que seus pais já tenham alimentado em sua época de adolescentes. (falte, faltem)
16)........................................ a picos de tensão ou raios ocasionais a causa de muita perda de informações, que se julgavam preservadas numa memória eletrônica. (atribui-se, atribuem-se)
17)Diferentemente do que ocorre com livros muito antigos, que se vêm revelando muito resistentes, os de hoje ........................................... do uso constante. (ressente-se, ressentem-se)
18) Caso ........................................ de haver as grandes bibliotecas de hoje, é possível que os homens do futuro não pudessem interpretar plenamente a nossa cultura. (deixasse, deixassem)
19)Confia-se a um suporte eletrônico incontáveis informações, mas não se ........................... avaliar com segurança quanto tempo permanecerão disponíveis. (pode, podem)

20) Ainda que só ..................................  a restar da nossa época algumas boas bibliotecas, elas serão suficientes para dar notícia do que pensamos e criamos. (venha, venham)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Filme completo Memórias póstumas de Brás Cubas

Filme. Memórias póstumas de Brás Cubas.                                                                                                     Clique e bom filme.....

sábado, 12 de abril de 2014

A UM BRUXO, COM AMOR

Machado de Assis - O bruxo do cosme velho
  A UM BRUXO, COM AMOR          
Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.
Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.
Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.
E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?
O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a sussurrar alguma coisa
que não se estende logo
a parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova…
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?
Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.
Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.

Poema A um bruxo, com amor, escrito por Carlos Drummond de Andrade para homenagear Machado de Assis.

Rua Cosme Velho - rua onde morou Machado de Assis, situada no bairro do mesmo nome.
trastejada - mobiliada.

terça-feira, 18 de março de 2014

CONTEXTO; RESUMO: memórias póstumas de Brás Cubas, e NARRADOR; ESTILO DE MACHADO DE ASSIS


Contexto Histórico

  • Surgiu a partir da segunda metade do século XIX.
  • As ideias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço.
  • As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico.
  • Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobretudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos freqüentes com as grandes cidades europeias.
  • Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado.
NARRADOR
1a pessoa
 “defundo autor” 
 pressunção, egocentrismo 
 instabilidade, volubilidade 
  niilismo: pessimismo acentuado

Personagens 
A família
  irmã Sabina: disputa de herança 
 cunhado Cotrim: falta de escrúpulos da elite
 As mulheres Marcela: prostituta de luxo
                      Eugênia: pobre, coxa 
                      Virgília: amante 
                      Nhã-Loló: pretendente
 Escravos e dependentes Prudêncio: de oprimido a opressor 
                                          D. Plácida: marginalização do trabalho

SÍNTESE - RESUMO
Publicado em folhetim em 1880, na Revista Brasileira, e editado em livro no ano seguinte, Memórias póstumas de Brás é a autobiografia da personagem Brás Cubas, que, depois de morto, resolve escrever  suas memórias. Intitulando-se "defunto-autor", Brás Cubas propõe-se a fazer a retrospectiva de sua vida, o que realiza com o distanciamento crítico e irônico de quem já não se prende às convenções sociais.    
                 Assim, entre os fatos narrados, destacam-se: os amores juvenis de Brás Cubas por Marcela, uma mulher vulgar a quem ele amou e por quem foi amado durante "quinze meses e onze contos de réis", suas aspirações à vida literária e política; sua amizade com o filósofo Quincas Borba; o caso com Virgília - de quem quase se tornou marido, num casamento arranjado, e de quem mais tarde se tornaria amante; o casamento de Vigília com seu rival Lobo Neves.

ESTILO DE MACHADO DE ASSIS
          A escrita de Machado de Assis tem um estilo bastante peculiar, marcado pela erudição e pela ironia. Assim, o escritor refere-se frequentemente a passagens de obras clássicas, das quais era um leitor sistemático, adaptando-as para as situações de seus personagens e narrativas.
         A ironia fina presente nos textos, capaz de estabelecer ambiguidades e impasses que não se solucionam, causa um efeito de distanciamento em relação aos fatos narrados. Mas, ao contrário do que possa sugerir, essa postura distanciada não deve ser entendida como imparcial. Ao contrário, o distanciamento irônico que caracteriza o discurso de muitos dos narradores criados pelo autor favorece o estabelecimento de um ponto de vista crítico, corrosivo, que questiona a realidade e aponta as suas contradições.
         O ritmo fragmentado das narrativas e as constantes digressões dos narradores, que muitas vezes se desviam do assunto que estavam abordando para fazer esclarecimento ou críticas, exigem uma leitura atenta e levam o leitor a uma reflexão mais cuidadosa sobre a matéria narrada.

MACHADO DE ASSIS - BIOGRAFIA

BIOGRAFIA
Joaquim Maria Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da literatura brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro em 21/6/1839, filho de uma família muito pobre. Mulato e vítima de preconceito, perdeu na infância sua mãe e foi criado pela madrasta. Superou todas as dificuldades da época e tornou-se um grande escritor.
Na infância, estudou numa escola pública durante o primário e aprendeu francês e latim. Trabalhou como aprendiz de tipógrafo, foi revisor e funcionário público.
Publicou seu primeiro poema intitulado Ela, na revista Marmota Fluminense. Trabalhou como colaborador de algumas revistas e jornais do Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de letras e seu primeiro presidente.
Podemos dividir as obras de Machado de Assis em duas fases: Na primeira fase (fase romântica) os personagens de suas obras possuem características românticas, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais temas de seus livros. Desta fase podemos destacar as seguintes obras: Ressurreição (1872), seu primeiro livro, A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878).
Na Segunda Fase ( fase realista ), Machado de Assis abre espaços para as questões psicológicas dos personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do realismo literário. Machado de Assis faz uma análise profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades, defeitos e qualidades. Nesta fase destaca-se as seguintes obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1908).
Machado de Assis também escreveu contos, tais como: Missa do Galo, O Espelho e O Alienista. Escreveu diversos poemas, crônicas sobre o cotidiano, peças de teatro, críticas literárias e teatrais.

Machado de Assis morreu de câncer, em sua cidade natal, no ano de 1908.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Romances de folhetim

Romances de folhetim   


Estas histórias de leitura rápida eram publicadas todos os dias nos jornais em    espaços determinados e destinados ao entretenimento, era o Folhetim, gênero importado da França, e que com o gradual desenvolvimento das cidades, em especial o Rio de Janeiro, ocasionou a criação de inúmeros jornais diários, encontrou amplo espaço de publicação na capital do Império, e no interior do país.
         A leitura das publicações de romances de folhetim e muitos outros costumes influenciaram de uma maneira marcante a formação da identidade nacional brasileira, que assimilava os modelos europeus e os adaptava ao nosso cotidiano, em um momento de construção do estilo de vida que estava sendo adotado pelo povo brasileiro.
        Nos primeiros momentos  do  romantismo , os termos folhetim e romance chegaram a se identificar, eram praticamente sinônimos. Ao longo do século 19, esses conceitos viriam a conhecer a separação, passando o romance a designar a narrativa de maior complexidade na forma e no conteúdo. Quanto ao folhetim, tornou-se o nome das narrativas cuja essência consiste no enredo passional, de muitas peripécias para entreter o leitor.

         No gênero folhetinesco cabem múltiplas opções de enredo, de assuntos frívolos aos mais sérios, de assuntos que são o tema de conversas particulares aos acontecimentos que interessavam a história, oferecendo aos seus autores infindáveis possibilidades de tramas, para ilustrar as publicações com a realidade do ser humano: traições, trocas de identidades, infidelidades, violência, o amor, o incesto, a loucura, o desejo, a miséria e as inquietações da alma humana.
       Levando-se em conta o grande poder de influência que o folhetim passa ter, é bom realçar a importância de seu caráter didático, pois a cada dia aumentava consideravelmente o número de leitores, em sua maioria mulheres, que não tinham acesso a outros tipos de literatura, e foram influenciadas e “formadas” pelas ideologias disseminadas nos enredos dos folhetins, e principalmente pela personalidade e atitudes dos heróis, heroínas, vilões e outros lançadores de modos e modas desta ficção narrativa em prosa publicada aos pedaços no jornal cotidiano.

fonte de pesquisa
Ana Lúcia Silva Resende de Andrade Reis (Mestranda em Letras – UFSJ) e Profª Drª Claudia Braga (Orientadora)




Manuel Antônio de Almeida

BIOGRAFIA

Manuel Antônio de Almeida, jornalista, cronista, romancista, crítico literário, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 17 de novembro de 1830, e faleceu em Macaé, RJ, em 28 de novembro de 1861. É o patrono da Cadeira n. 28, por escolha do fundador Inglês de Sousa.

Era filho do tenente Antônio de Almeida e de Josefina Maria de Almeida. Órfão de pai aos 11 anos, pouco se sabe dos seus estudos elementares e preparatórios; aprovado em 1848 nas matérias necessárias ao ingresso na Faculdade de Medicina, cursou o 1º ano em 49 e só concluiu o curso em 1855. As dificuldades financeiras o levaram ao jornalismo e às letras. De junho de 1852 a julho de 1853 publicou, anonimamente e aos poucos, os folhetins que compõem as Memórias de um sargento de milícias, reunidas em livro em 1854 (1º volume) e 1855 (2º volume) com o pseudônimo de "Um Brasileiro". O seu nome apareceu apenas na 3a edição, já póstuma, em 1863. Da mesma época data ainda a peça Dois amores e a composição de versos esparsos.

Em 1858 foi nomeado Administrador da Tipografia Nacional, quando encontrou Machado de Assis, que lá trabalhava como aprendiz de tipógrafo. Em 59, foi nomeado 2º oficial da Secretaria da Fazenda e, em 1861, desejou candidatar-se à Assembleia Provincial do Rio de Janeiro. Dirigia-se a Campos, para iniciar as consultas  eleitorais, quando morreu no naufrágio do navio Hermes, próximo a Macaé.


Além do romance, publicou a tese de doutoramento em Medicina e um libreto de ópera. A sua produção jornalística-crônicas, críticas literárias - permanece dispersa. O seu livro teve grande êxito de público, embora a crítica só mais tarde viesse a compreendê-lo devidamente, reservando-lhe um lugar de relevo na literatura, como o primeiro romance urbano brasileiro. Escrito em 1852, em plena voga do Romantismo, retrata a vida do Rio de Janeiro no início do século XIX, época da presença da corte portuguesa no Brasil, entre 1808 e 1821. É um romance de cunho realista, sem os artifícios com que a técnica romântica fantasiava, deformava, embelezava ou idealizava a realidade. A crítica mais recente aponta como influência mais positiva em sua elaboração e no seu personagem protagonista o romance picaresco e romance de costumes  espanhol.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

ANÁLISE - MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS


Análise literária da prosa romântica brasileira - MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS

 A - Roteiro mínimo de leitura

1- Biografia
    Situar o autor no tempo, dar um rápído painel de suas mais importantes produções.

2- Resumo do enredo
    Sintetizar os principais acontecimentos da obra.

3- Personagens
    Verificar se as personagens sofrem mudanças e são aprofundadas psicologicamente ( personagens esféricas), ou se são imutáveis e seu tratamento é superficial e exterior (personagens planas ); ou ainda se delas se destacam apenas traços gerais e comuns ao grupo a que pertencem, como a fofoqueira, o padre, a beata, a comadre, etc(tipo)

4- Tempo
   Observar a presença dos tempos cronológico ( do relógio ) ou psicológico ( tempo interior, da construção) e a importância deles para a construção da sequência narrativa e das personagens.

5- Espaço
    Observar o espaço físico ou geográfico ( meio ambiente ) quanto o espaço social em que atuam (meio social) e até que ponto o espaço influencia ou condiciona a ação das personagens.

B - QUESTÕES

1- Sob que  ponto de vista é feita a narração: em 1ª ou 3ª pessoa? Por que, então, é usado o termo memórias no nome da obra?
     Apesar do título de “memórias”, o romance não é narrado pelo personagem Leonardo, e sim por um narrador onisciente em terceira pessoa, que tece comentários e digressões no desenrolar dos acontecimentos. O termo “memórias” refere-se à evocação de um tempo passado, reconstruído por meio das histórias por que passa o personagem Leonardo.

2- O romance foi publicado semanalmente na imprensa carioca entre 1852 e 1853. Pesquise:    O que caracteriza formalmente o folhetim? Pode-se dizer que Memórias de um sargento   de milícias é um romance folhetinesco? Por quê?
Estas histórias de leitura rápida eram publicadas todos os dias nos jornais em    espaços determinados e destinados ao entretenimento, era o Folhetim, gênero importado da França, e que com o gradual desenvolvimento das cidades, em especial o Rio de Janeiro, ocasionou a criação de inúmeros jornais diários, encontrou amplo espaço de publicação na capital do Império, e no interior do país.
         A leitura das publicações de romances de folhetim e muitos outros costumes influenciaram de uma maneira marcante a formação da identidade nacional brasileira, que assimilava os modelos europeus e os adaptava ao nosso cotidiano, em um momento de construção do estilo de vida que estava sendo adotado pelo povo brasileiro.
        Nos primeiros momentos  do  romantismo , os termos folhetim e romance chegaram a se identificar, eram praticamente sinônimos. Ao longo do século 19, esses conceitos viriam a conhecer a separação, passando o romance a designar a narrativa de maior complexidade na forma e no conteúdo. Quanto ao folhetim, tornou-se o nome das narrativas cuja essência consiste no enredo passional, de muitas peripécias para entreter o leitor.

         Portanto, a obra citada pertence ao gênero folhetinesco. Aborda  tramas para ilustrar as publicações com a realidade do ser humano: traições, trocas de identidades, infidelidades, violência, o amor,  o desejo, a miséria e as inquietações da alma humana.
3- É comum o romance urbano romântico deter-se na análise de problemas morais e psicológicos,motivo pelo qual acaba sendo, normalmente, um romance de feição introspectiva, psicológica. Pode-se dizer que tal foto ocorre em Memórias... ? O que, basicamente, alimenta a narrativa?
Memórias de um sargento de milícias, a história do filho 'da pisadela e de um beliscão', é narrado em 48 capítulos por um narrador onisciente que orienta a leitura ao longo de toda a obra apontando e comentado as intrigas, os sucessos e os fracassos dos personagens. Se a estrutura narrativa é frágil e pouco organizada, dados os constantes saltos no tempo e no espaço, os comentários do narrador, ora humorísticos, ora irônicos, lhe dão inegável unidade, em que pesem alguns lapsos, como é o caso do personagem Chiquinha, apresentada às vezes como sobrinha e às vezes como filha da comadre.

4- Caracterização do tipo de linguagem empregada:  é culta, jornalística ou coloquial? É a linguagem da época em que a história foi narrada ou da época em que se passa a história?
Jornalística.A linguagem é popularesca, coloquial, mais de acordo com pessoas de nível cultural inferior, pertencente a camadas sociais simples. A linguagem do livro é a mesma utilizada nas ruas do Rio de Janeiro na época em que a obra foi escrita

5- Pesquise:  O que é herói picaresco? Leonardo Filho pode ser considerado um herói picaresco ou apenas um herói malandro? Por quê?
O gênero picaresco – do qual o mais ilustre representante é o romance Lazareto de Tormes – caracteriza-se por narrar, em primeira pessoa, os infortúnios de um pícaro, um garoto inocente e puro que se torna amargo à medida que entra em contato com a dureza das condições de sobrevivência. Por isso procura sempre agradar a seus superiores. O pícaro tem geralmente um destino negativo, acaba por aceitar a mediocridade e acomodar-se na lamentação desiludida, na miséria ou num casamento que não lhe dá prazer algum.

Nenhuma dessas características está presente em "Memórias de um Sargento de Milícias". Leonardo não é inocente. Ao contrário, parece já ter nascido com “maus bofes”, como afirma a vizinha agourenta. Também não é totalmente abandonado, tendo sempre alguém que toma seu partido e procura favorece-lo.
Ele ainda desafia seus superiores, como o mestre-de-cerimônias e o Vidigal. Por fim, Leonardo não encontra um destino negativo, pois se casa com o objeto de sua paixão (Luisinha, a sobrinha de dona Maria), acumulando cinco heranças e granjeando uma promoção com o major Vidigal.

Existem, de fato, algumas semelhanças entre Leonardo e os personagens picarescos. Uma é a atitudeExistem, de fato, algumas semelhanças entre Leonardo e os personagens picarescos. Uma é a atitude inconsequente do protagonista, que o leva, por exemplo, a esquecer-se rapidamente de Luisinha ao conhecer Vidinha. Depois, o amor antigo retorna, mas nada dá a entender que não possa acabar novamente. Essas semelhanças, porém, são superficiais, por isso é problemática a classificação de "Memórias de um Sargento de Milícias" como romance picaresco. 



6- A obra apresenta certo tipo de humor. Caracterize esse tipo de humor.

Presença do humorismo, do ridículo e do burlesco: o tom geral da obra segue a tendência da gozação, marcado que está pela construção de personagens que tendem para o caricatural, para o mais absoluto ridículo. A essa tendência chamamos carnavalização

aqui vocês podem baixar  a obra no Formato pdf 
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