quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Projeto - Auto da barca do inferno

Projeto - teatro na escola
EE Prof. Sebastião Ramos
Obra adaptada - Auto da barca do inferno, de Gil Vicente

Prof. Responsável: Ozeia Ferreira
Turma 3 série B
Ano 2015

OBJETIVOS
- Ampliar a ação formadora e intelectual  dos educandos, melhorando a interação social  con a vida  e com o mundo ao redor para assim favorecer aa relações harmônicas desses indivíduos em sociedade;
- abrir espaço ao aluno na busca por um conhecimento sistêmico,  uma análise efetiva,  uma ampliação nos aspectos de sua vida como cultura, realidade política,  social  e artística;
- ampliar o leque da cultura escolar,  para que possa ser rompida a estagnação cultural que hora perpetua em nossa sociedade;
- atuar de forma disciplinadora tendo a encenação como mecanismo de condução  para expressar a liberdade dos alunos.


JUSTIFICATIVA
     O teatro na escola é de grande valia para que possamos preparar os alunos a caminho de um futuro que exige flexibilidade,  dinamismo e agilidade no pensar, no agir, no entender e na arte de refletir e analisar.
      Diante dessa premissa, essa ferramenta com fundamentos sociais e pedagógicos, tornou-se relevante as competências e habilidades em língua portuguesa. A encenação teatral contribui com o convívio,
 
DESENVOLVIMENTO/ETAPAS
1. Ponto de partida: leitura dramatizada do texto "AUTO DA BARCA DO INFERNO" de Gil Vicente.
2. Adaptação do texto.
3. Na sala de informática, através do canal do youtube, os alunos assistiram à peça ‘Auto da barca do inferno’
4. Montagem da peça:
   a) escolha dos personagens;
    b) escolha do responsável pelo cenário;
    c) escolha do responsável pelo figurino;
    d) escolha do responsável pela maquiagem;
    e) escolha do aluno como diretor.
5. O aluno escolhido como diretor ficou responsável pelos ensaios. Antes dos ensaios eram feitos exercícios vocais,  corporais e  reconhecimento de palco.
Ensaio – todas as 3 feiras e 4 feiras, durante as aulas de língua portuguesa.
     Obs – Antes do ensaio -  aquecimento teatral -  desenvolvido pelo aluno Lucas Nascimento.                A - Exercícios vocais. Exercícios de dicção – repetição das palavras: pipoca, abacate, banana, abacaxi.  Exercícios para controlar a respiração –  pronunciar o som de ‘s’, ‘f’, ‘x’; soltar ar frio pela boca.  
    B – Exercícios de percepção teatral, de espaço e para explorar sentimentos.
6. Assim todos participaram do projeto.
7. O que era uma peça transformou-se um curta metragem.
8) Assim foi definido os alunos responsáveis pela gravação e edição do filme.

9 A avaliação ocorreu  durante todo o projeto, principalmente na elaboração dos textos e nas apresentações, onde foi usada como critério, a avaliação do trabalho em grupo, as atuações individuais e a criatividade. Serão também avaliados os alunos responsáveis pelo cenário e pelo figurino, além do aluno responsável pela edição do DVD.

REFERĘNCIA
GIL, Vicente.  Auto da barca do inferno.  2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
GOOGLE. Teatro na Escola. Disponível em<http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_na_escola> Acesso em 20 de setembro de 2015.
https://www.youtube.com/watch?v=VdmeEv6JMao.  Acesso em 15 de setembro de 2015.

REGISTROS
 MONTAGEM DO CENÁRIO






ALGUMAS CENAS...



  


















quarta-feira, 18 de novembro de 2015

"Se eu morresse amanhã", de Álvares de Azevedo

Concretismo

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Todos os temas das redações do Enem

1998: Viver e aprender

1999: Cidadania e participação social

2000: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional

2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?

2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo

2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação

2005: O trabalho infantil na sociedade brasileira

2006: O poder de transformação da leitura

2007: O desafio de se conviver com as diferenças

2008: Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar

2009: O indivíduo frente à ética nacional

2010: O trabalho na construção da dignidade humana

2011: Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado

2012: Movimento imigratório para o Brasil no século 21

2013: Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil

2014: Publicidade infantil em questão no Brasil

2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Temas ENEM 2015

1. Diálogo entre ciência e sociedade

A ciência realiza novas descobertas frequentemente, fato que possibilita melhorias e desenvolvimento de novas tecnologias. Entretanto, muitas vezes a sociedade não entende o método científico e muitas coisas são confrontadas com paradigmas culturais, morais ou religiosos. Para lidar com isso, é necessário haver comunicação entre o meio científico e a população.

2. Limites entre estética e saúde

Academia, dietas, cirurgias plásticas, anabolizantes etc. É grande a busca pelo corpo perfeito caracterizado por um padrão de beleza. Mas até que ponto a estética coincide com hábitos saudáveis? Conhecem-se muitas doenças causadas por insatisfação corporal como anorexia, bulimia, depressão, compulsão alimentar e obesidade, além de consequências no convívio social como discriminação e baixa autoestima.

3. Novos modelos de educação

Há muitos debates ocorrendo sobre as problemáticas do sistema tradicional de ensino e novos modelos de educação para o século XXI, tendo em pauta os métodos de avaliação, uso de tecnologias, interação professor-aluno, formação crítica e social etc. Um recente documentário realizado no Brasil que ajuda na discussão desse tema é o “Quando sinto que já sei” que pode ser encontrado no Youtube.

4. Dificuldades da formação universitária

A formação universitária no Brasil encontra diversos obstáculos como financeiro (o alto valor das mensalidades em faculdades privadas, custeio de transporte ou residência, materiais didáticos, alimentação), psicológico (escolha de curso, afastamento de familiares e amigos, aumento de responsabilidades, inserção no mercado de trabalho), entre outros. Ao mesmo tempo, o Estado tem criado políticas públicas como Fies, Pronatec, sistemas de cotas, criação de novas universidades etc.

5. Conceito de família no século XXI

O projeto de Lei 6583 de 2013 cria o Estatuto da Família. Nesse texto, família é definida como união entre homem e mulher. A partir disso, muitas discussões têm sido feitas sobre o conceito de família atualmente, com o intuito de refletir sobre famílias formadas por mães ou pais solteiros, avós e tios, casais homossexuais, poligamia etc.

6. Justiça com as próprias mãos

Tema bastante polêmico em 2014 e que pode ser discutido com mais imparcialidade esse ano. O combate à violência através da justiça com as próprias mãos é válido? Definições de justiça, casos de linchamentos, rebeldia com a ordem e segurança públicas são alguns pontos que abordam essa temática.

7. Obsolescência programada

Esse conceito significa a diminuição da vida útil de equipamentos com o intuito de incentivar a compra de novos produtos ou versões atualizadas. Rodeio esse tema a questão do consumismo exacerbado, resíduos eletrônicos, responsabilidade e consciência social do consumidor. Um documentário sobre esse assunto também pode ser encontrado no Youtube e ajuda no entendimento.

8. Trânsito em grandes metrópoles

Grandes cidades têm tido cada vez mais problemas com o trânsito. Muitos pontos podem ser discutidos nessa temática como a preferência dos cidadãos por transporte público ou individual, poluição causada por muitos carros, poluição sonora (buzinas em congestionamento), via exclusiva para ônibus, ciclovias, tempo gasto diariamente entre trabalho e residência, atraso nos horários e superlotação em ônibus, trens e metrôs, greves dos funcionários de transportes públicos, preços das passagens, catraca livre etc.

9. Voluntariado e transformações sociais

O trabalho voluntário no Brasil tem passado por uma transformação. Não se pensa mais no voluntariado como assistencial (doação de roupas, alimentos e agasalhos, por exemplo), mas como uma tentativa de mudança social, através de medidas inclusivas e de impacto. Outro ponto a ser considerado é a valorização que as empresas fazem de candidatos e funcionários que realizam trabalhos voluntários, assim como próprios projetos sociais realizados pelas empresas para contribuição à sociedade ou marketing.

10. Liberdade de expressão e mídia

Tema bastante atual, a liberdade de imprensa tem sido muito discutida, principalmente após o ataque à revista francesa Charlie Hebdo no início desse ano. Pode-se refletir sobre os limites entre liberdade de expressão e respeito às diferenças ou respeito à verdade.

11. Consumo de álcool e droga por adolescentes

Por lei, o consumo de álcool é proibido por adolescentes. Entretanto, é crescente o uso não só de bebidas alcoólicas mas também de drogas lícitas e/ou ilícitas entre os jovens, como cigarro, maconha, cocaína, LSD etc. As razões e consequências desse ato podem servir como base para a discussão do tema.

12. Limites entre humor e bullying

Os limites do humor é algo que tem chamado bastante atenção atualmente por causa de diversos processos a comediantes do Brasil como Rafinha Bastos, Danilo Gentili etc, e o constante uso de discriminação das minorias para fazer piada. A responsabilidade social do comediante foi discutida no excelente documentário de Pedro Arantes, “O riso dos outros”, encontrado no Youtube.

13. Desigualdade étnica e de gênero

O Brasil é um dos países com maior desigualdade do mundo e entre muitos tipos de desigualdade, a étnica e a de gênero costumam ser as mais discutidas, assim como os preconceitos gerados por essa situação, respectivamente, racismo e machismo. Os direitos conquistados, as lutas e reivindicações e as políticas públicas são alguns pontos que merecem ser estudados para entender a causa e argumentar com clareza.

14. Gestão de resíduos urbanos

Em 2010, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A gestão de resíduos ainda é um tema bastante em alta devido à enorme quantidade de lixo produzido anualmente no Brasil. Coleta seletiva e logística reversa são alguns dos termos importantes de serem entendidos. Para conhecer mais sobre a lei e sua importância na sociedade, pode ser consultada a explicação no site do Ministério do Meio Ambiente.

15. Saúde pública

Problemas no Sistema Único de Saúde (SUS) como falta de médicos, atrasos, grandes filas de espera e falta de equipamentos são possíveis de serem tratados em uma dissertação. O tema também é bastante atual devido ao programa de governo Mais Médicos que trouxe médicos de outras nacionalidades (cubanos) para atuar no Brasil com o intuito de amenizar os problemas na saúde pública.

16. Abuso em trotes universitários

Todo ano, vários casos de abuso em trotes universitários são noticiados. Esse ano, um dos casos mais alarmantes foi de uma jovem que teve a perna queimada por ácido. O fator psicológico dos jovens recém inseridos no ensino superior também é pauta nessa discussão. Leia mais sobre esse tema nessa coluna.

17. Tráfico de drogas e violência urbana

A correlação entre o tráfico de drogas e a violência urbana, principalmente em favelas, é muito propício de discussão. Esse tema foi recentemente abordado nos filmes Tropa de Elite (1 e 2) e é sempre mencionado quando se debate sobre Legalização da Maconha, já que o combate às drogas é um dos fatores que mais causam violência e conflito entre policiais e civis no Brasil.

18. Uso da água na economia brasileira

O Estado de São Paulo passa por uma intensa crise hídrica e isso tem colocado a água no centro de grandes discussões. Uma das possibilidades de tema envolvendo a água é a sua importância em diversas atividades econômicas no Brasil como a agroindústria e a geração de energia elétrica através de hidrelétricas.

19. Saúde feminina na gravidez

A preocupação com a saúde da mulher durante a gravidez é um bom tema de redação pois nele podemos tratar várias problemáticas presentes na sociedade brasileira como o aborto não legalizado que fere e mata milhares de mulheres por ano, os maus tratos nos hospitais durante abortos espontâneos ou nos partos. O tema também é atual por causa da recente resolução que limita a quantidade de cesáreas que podem ser realizadas, o que é uma intervenção do Estado na escolha da mulher.

20. Sustentabilidade nas empresas

O termo sustentabilidade está bastante em alta no Brasil com a crescente preocupação com o meio ambiente. Nesse contexto, as empresas precisam atuar coincidindo a busca por lucros com o cuidado ambiental. Políticas empresariais e marketing verde são os pontos de destaque nessa discussão.

domingo, 23 de agosto de 2015

Diminutivos

USO DO DIMINUTIVO

Os diminutivos nem sempre indicam diminuição de tamanho. Dependendo de como os diminutivos são colocados no contexto, eles podem assumir as mais diversas significações e não apenas diminuição de tamanho.
A significação dos diminutivos depende do contexto e só existe em relação a ele.
Algumas significações dos diminutivos

A- Significacão de aumentativo
1)- Casinha: Dois amigos se encontram e um deles convida o amigo para conhecer a sua “casinha” (diminutivo afetivo, de aconchego).
Quando o amigo chegou em frente à casa, declarou admirado:
- Que “casinha” hein!...
Na realidade, o amigo se admirou porque não era uma casinha, (no sentido de pequena), mas uma casa grande, um casarão.

2)- Friozinho:Quando alguém diz “aquela situação me deu um ‘friozinho na barriga’”, realmente não será o aumentativo de medo?

Nos casos em que os diminutivos se referem a comida, o tom carinhoso, afetivo, surge com muito mais intensidade.

Que comidinha gostosa a sua mãe faz !
Hoje o arrozinho e o feijãozinho da mamãe estavam uma delícia.
Gostou do cafezinho?

B- Eufemismo - Algumas palavras causam desconforto. O diminutivo se presta muito a isso: serve para abrandar, para atenuar uma situação.

Ex.: 1- Remedinho:  Pedro caiu e se machucou, sua mãe lhe deu um remedinho.
Remedinho- tratmento simples.
Remédio – tratamento mais grave.
Ex.:2) Operaçãozinha: “João irá fazer uma operaçãozinha.
Operaçãozinha – simples
Operação – algo mais grave

C- Causar constrangimento ou ofensas. Ironia. Desprezo. Antipatia.
Ex.: 1) Aquele doutorzinho não soube diagnosticar.
  2) Mariana diz que o povinho da vila não tem coragem.
  3) Maria nos serviu um vinhozinho qualquer.

D- Os diminutivos nos nomes dá-lhes um significado carinhoso, sentimental, de ternura.

Lulinha ,, Toninho, Betinho, Bruninho, Rafaelzinho, Rodriguinho, Terezinha, Joãozinho, Ronaldinho, Rubinho, Rosinha. (Isso não quer dizer que são pequenos, mas sim que eles são muito amados).
  -  Escolinha de Futebol: Não quer dizer que é uma escola pequena em tamanho, mas sim uma escola para crianças
 -   A sua casinha é muito bonita. (Casinha não se refere ao tamanho, mas sim ao que ela significa)

E- Carinhosamente, substituem os nomes.

Ex.: Manoel irá visitar sua  Terrinha em janeiro. (Portugal)
       Xuxa e os baixinhos. (Crianças)
   
F- Existem palavras que embora utilizem o sufixo diminutivo, não tem significação de diminutivo. Elas são meramente formais, não encerram a idéia de diminutivos, desde que colocados dentro de um contexto.

1) Santinho: Propaganda eleitoral impressa em formato pequeno, com foto do candidato e informações sobre ele.
2) Folhinha: Folha com o calendário impresso.
3) Patricinha: Mulher que se veste com excessivo apuro.
4) Pegadinha: Ciladas

5) Vaquinha: ajuda mútua, caixinha.


G- Quando o diminutivo sugere alguma recomendação, Isto é, dar a alguém alguma incumbência, alguma ordem, isto não indica mais lentidão ou ligeireza da realização do fato, mas sim acentuar a recomendação, reforçar o sentido.


Pedro! vá depressinha apanhar o meu remédio na farmácia.
   Maria é bom que estudes devagarinho.

H- Os diminutivos dos verbos, dando idéia de freqüência, exprimem uma ação, uma marcha de tempo
que desliza suave e incessantemente.São usados como um desvio gramatical, intencional, estilístico.
Ex.: A vida vai morrendo, morrendinho (Lapa,M. Rodrigues. Est. Da Língua Portuguesa)
O vento madrugouzinho (Caliman, Plínio. O rio da minha aldeia)
Desceu os vales caminhandozinho (Climan, Plínio. O rio da minha aldeia)
Quero estarzinho com ela (Bopp, Raul. Cobra Norato)
Querzinho de ficar junto. (Bopp, Raul. Cobra Norato)

     I - Na linguagem coloquial, onde as manifestações de ternura caracterizam-se por sua intensidade e natural exagero é comum o advérbio e o adjetivo, por afinidade com os substantivos, assumirem uma forma diminutiva, utilizando os sufixos “inho (a)” com um valor de superlativo.
Ex.: Como você está lindinha.( muito linda, lindíssima)

      Ele acordou cedinho para estudar. ( muito cedo)


Os diminutivos deverão ser sempre analisados dentro de um contexto,pois só assim se terá a noção exata de seu significado.

Questão 1-       Balõezinhos
      Manuel Bandeira 

Na feira livre do arrabaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
-“O melhor divertimento para as crianças!”
Em redor dele há um ajuntamento de meninos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os grandes balõezinhos muito redondos.
No entanto a feira burburinha.
Vão chegando as burguesinhas pobres,
E as criadas das burguesinhas ricas,
E as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza. Nas bancas de peixe,
Nas barraquinhas de cereais,
Junto às cestas de hortaliças
O tostão é regateado com acrimônia.
[...]
BANDEIRA, Manuel. A cinza das horas; Carnaval; O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.
No poema, os diminutivos “arrabaldezinho”; “balõezinhos”; “burguesinhas; “barraquinhas” representam
(A) alegria do eu lírico ao retornar à sua cidade de origem
(B) agitação das festividades do interior.
      (C) admiração ao ver tantas crianças pobres.
      (D) afetividade do eu lírico com coisas simples do dia a dia.



Questão 2-          O Anel de vidro
                                                   Manuel Bandeira
Aquele pequenino anel que tu me deste,
- Ai de mim – era vidro e logo se quebrou...
Assim também o eterno amor que prometeste,
 - Eterno! Era bem pouco e cedo se acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou
 - Aquele pequenino anel que tu me deste,
- Ai de mim – era vidro e logo se quebrou.

Não me turbou, porém, o despeito que investe
 Gritando maldições contra aquilo que amou.
 De ti conservo na alma a saudade celeste...
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste...

Bandeira, Manuel. Estrela da vida inteira - poesia completa. 5. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. P. 74.

Nos versos do poema: “Aquele pequenino anel que tu me deste, (l. 1 e l.7)” e “Daquele pequenino anel que tu me deste...(l. 13)”, o emprego do adjetivo “pequenino”:
(A) exprime a ternura do eu lírico pelo anel de vidro.
(B) acentua o caráter carinhoso que perpassa o poema.
(C) intensifica a afeição do eu lírico pela amada ausente.
(D) expressa o aspecto irônico que caracteriza o poema.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Sujeito oracional

Nem sempre o sujeito é uma pessoa (nome ou pronome); às vezes trata-se de um fato expresso por uma oração reduzida de infinitivo, ou desdobrada e introduzida por conjunção integrante.  A concordância do verbo será uma só: 3* pessoa. 

Verbos unipessoais - são os verbos que pedem sujeito oracional.
Exemplos de tais verbos: convém,  ocorre, agrada, aparece,  consta, é necessário,  é bom,  é urgente,  etc.

Ex. Cabe aos mestres ensinar a língua pátria.
(ensinar a língua pátria - sujeito oracional representado por oração de infinitivo)

Agrada-me que tenhas ficado
contente.
(que tenhas ficado contente - sujeito oracional representado por oração substantiva integrante.

Nota: Frequentemente o objeto do infinitivo se antepõe ao verbo unipessoal e, às vezes,  além dessa anteposição,  vem repetido ( pleonástico ) .
Ex: Os direitos alheios cabe-me defender.
O sujeito é " defender os direitos alheios".

Os direitos alheios, cabe-me defendê-los.
"los" -é objeto direto pleonástico.
"defender os direitos alheios" - sujeito oracional.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

QUESTÕES - MODERNISMO NO BRASIL - 1a FASE

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA. Oswald de Andrade: o culpado de tudo.
27 set. 2011 a 29 jan. 2012. São Paulo: Prol Gráfica, 2012.

     Questão 1 -O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia de que a brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto à questão da identidade nacional, as anotações em torno dos versos constituem

     a) direcionamentos possíveis para uma leitura crítica de dados histórico-culturais.
     b) forma clássica da construção poética brasileira.
     c) rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol.
     d) intervenções de um leitor estrangeiro no exercício de leitura poética.

     e) lembretes de palavras tipicamente brasileiras substitutivas das  originais.

     Questão 2- Erro de português

                  Quando o português chegou
                         Debaixo de uma bruta chuva
                         Vestiu o índio
                         Que pena!
                         Fosse uma manhã de sol
                         O índio tinha despido
                                        
Oswald de Andrade

     Sobre o poema de Oswald de Andrade, estão corretas as seguintes proposições:
     
I. Faz uma crítica contra a colonização portuguesa na Brasil. Essa crítica pode ser confirmada a partir do título do poema, o qual contém uma ambiguidade intencional.
     
II. Nesse poema, a temática do relacionamento amoroso é abordada de maneira inovadora, distante da idealização romântica proposta pelos ultrarromânticos.

     III. O poema utiliza elementos como o humor, a ironia e o sarcasmo para relatar a chegada do português em terras brasileiras.
     
IV. Apropria-se de uma linguagem simples e prosaica para fazer uma reflexão profunda e complexa.

     V. No poema de Oswald nota-se a preocupação com a métrica, a versificação e a rima, embora o conteúdo do poema seja inovador.

      a) I, II e IV.
  b) II, III e V.  
c) I, III e IV.
 d) III e IV,
  e) II e V.

Questão 3 – O trovador
Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras...
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal...
Intermitentemente...
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo...
Contabona! Cantabona!
Dlorom...
Sou um tupi tangendo um alaúde!
                                                 Mário de Andrade.

Arlequinal – palhaço, farsante
Tanger - toque (de um instrumento musical)
Alaúde - instrumento musical da família dos cordofones
Cabe  ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é
A- Abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carvanal, remete à brasilidade.
B- Verificando já no título, que remete aos repentistas nordestinos,estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.
C- Lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como“Sentimentos em mim do asperamente” (v.1), “frio” (v. 6), “alma doente”(v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).
D- Problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
E- Exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.

Questão 4 – POEMA DO BECO
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do                                                                                                                                                  horizonte?
- O que vejo é o beco.
                                                       Manuel Bandeira

  1. A-       Do que é possível depreender do ‘poema do beco’, qual é o estado de ânimo do eu lírico? Justifique sua resposta.

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  1. B-      No poema, a palavra ‘Glória’ vem grafada com letra maiúscula, representando um tradicional bairro carioca. É possível entender o termo ‘glória’ também no sentido de prestigio, fama? Por quê?

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  1. C-      Há no poema uma oposição entre imagem do ‘beco’ e ‘A Glória, baía, linha do horizonte’. Explique em que consiste essa oposição.

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  1. D-     O termo ‘beco’ não indica somente uma rua sem saída, mas, conotativamente, sugere outras leituras. O que mais pode significar ‘beco’ no contexto do poema?

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  1. E-  -  De que modo a escolha por focalizar o beco reafirma as opções poéticas dos modernistas de 22?

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Questão 5 – Porquinho da índia
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho da índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava.
Queria era estar debaixo do fogão!
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho da índia foi a minha primeira     namorada.
                                             Manuel Bandeira
A -Aponte dois aspectos de estilo que estejam relacionados ao tema da infância? Explique.
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    B- Qual é o elemento comum entre a experiência infantil e a experiência mais adulta presentes no poema? Explique.
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GABARITO
          

  1.      A
  2.    C
  3.    E
  4.   -  A- o eu lírico esta desanimado , triste, entediado, sem perspectiva. O fato de ele ver apenas o beco – rua estreita e curta, muitas vezes sem saída – é o que afirma a sua melancolia.

          B-sim. As paisagens grandiosas anunciadas – o bairro da Gloria, a baía – da Guanabara - , a linha do horizonte – são gloriosas, tem charme e prestigio.

           C-o eu lírico cria uma oposição entre essas duas imagens para evidenciar seu estado de espirito – de depressão, de desalento, de tristeza. Pelo modo como o poema foi construído, pose-se inferir que o eu lírico tem diante de si uma paisagem bela – a GLORIA, A BAÍA, A LINHA DO HORIZONTE,  mas ele apenas consegue ver o beco.

             D-pode significar a falta de sentido, a impossibilidade de se continuar algo, a tristeza do eu lírico.
            E-os modernistas de 22 levam a poesia ás ruas, buscam A TEMÁTICA cotidiana, prosaica. A escolha do beco em vez de grandes símbolos reflete essa opção.

5  - A- uso do diminutivo para expressar afeto, a coloquialidade presente na expressão ‘dor de coração’ , a opção por um registro informal de linguagem em ‘levava ele’ e ‘pra os lugares’ – em vez de levava-o e para os lugares, conforme a gramatica normativa.

      B-o elemento comum é a rejeição. Tanto o bicho de estimação do eu lírico quando criança quanto a namorada com se relaciona na idade adulta rejeitam suas ‘ternurinhas’, seu carinho.  




QUESTÕES - ROMANTISMO NO BRASIL - POESIA

Questão 1 -Gonçalves Dias se destaca no panorama da primeira fase romântica pelas suas qualidades superiores de artista. Nele:
a) a pátria é retratada de maneira que se tenha um registro fiel da sua fauna e flora, sem interferência da emoção do poeta, como em “Canção do Exílio”.
b) a persistência de traços do espírito clássico impede o exagero do sentimentalismo, encontrado, por exemplo, em Casimiro de Abreu.
c) o indianismo é fiel à verdade da vida indígena, não apresentando a distorção poética observada em outros escritores.
d) protótipo do byroniano, convivem lado a lado o humor negro e o extremo idealismo.
e) predomina a poesia lírica de recuperação da infância, com acentuado tom saudosista, tão evidente em “Meus Oito Anos”

TEXTO PARA AS QUESTÕES 2 E 3
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Questão 2-  Recorrendo às características pertinentes à era romântica, sobretudo àquela demarcada pela primeira geração, cujo representante maior foi Gonçalves Dias. Quais características podem encontrar no poema?
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Questão 3 – Com o país é visto representado nesse poema?
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Questão 4-
Sobre o Ultrarromantismo, é incorreto afirmar:
a) Grupo composto por jovens poetas universitários de São Paulo e Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60 do século XIX. Foram fortemente influenciados pela leitura de obras literárias de Musset e Byron, escritores cujo estilo de vida imitavam.
b) Uma de suas principais características é o espírito do mal do século, uma onda de pessimismo doentio que se traduzia no apego a certos valores decadentes, como a bebida e o vício, na atração pela noite e pela morte.
c) Entre as principais características do Ultrarromantismo estão o nacionalismo, o indianismo, o regionalismo, a pesquisa histórica, folclórica e linguística, além da crítica aos problemas nacionais.
d) Seus principais representantes foram os poetas Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.
e) Também conhecido como segunda geração do romantismo, o Ultrarromantismo apresentou características como egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atração pela morte.

Questão 5 - Descansem no meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma triste cruz e escrevam nela
- Foi poeta –sonhou- e amou na vida.

Nos versos de Álvares de Azevedo, notam-se características de qual tendência romântica?

a)   Mal-do-século
b)   Bucolismo
c)   Crítica social
d)   Nacionalismo
e)   Indianismo

Questão 6 – ‘Para ser poeta era necessário sofrer com desespero os embates da paixão desordenada e sentir na vida boêmia  os negros pesares do infortúnio; era preciso descrer da felicidade e morrer jovem.’
Essa citação caracteriza a escola literária ..............., mais especificamente a ................ . Ele sintetiza um estado de espirito que tomou conta de uma época e que se chamou ........................

a) romântica – 1ª geraçao -  nacionalista
b)  condoreira – 2ª geraçao – poesia social
c ) romântica – 2ª  geraçao – mal do século
d) nacionalista – 3ª  geração – ultrarromântica

Questão 7 -  O texto a seguir necessita de diferentes termos para que fique coeso. Empregue apropriadamente os elementos –
(E – AINDA – ENQUANTO – POIS – APENAS – MAS – CADA VEZ MAIS – QUE )

....................................................., a mulher se conscientiza de  sua tarefa na sociedade, ......................., devido às  suas históricas condições de fraqueza, as mudanças sociais não avançaram como deveriam. Apesar dos avanços feitos no correr das ultimas décadas, a luta contra a mentalidade injusta ................machista ..................se faz necessária, ..............não é correto considerar a mulher um ser-objeto em função dos gostos masculinos. Entretanto, ........................o mundo não se torna um lugar mais justo, são muitos os .......................veem a mulher ..................... como ‘Amélia’ do lar.


Questão 8 – Que diferenças há entre o conceito de ‘poeta’ para Castro Alves e para Álvares de Azevedo
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GABARITO




 Resposta Questão 1 – letra  B

Resposta Questão 2
O nacionalismo, tão cultuado pelo poeta em estudo, ressoava marcas de uma nação recentemente liberta das amarras de Portugal, que por tanto tempo se fez dominador nessas terras. Assim, traços ideológicos como esse tão bem casavam com a situação, visto que as belezas aqui encontradas, sobretudo aquelas condizentes aos aspectos naturais, à própria cultura propriamente dita, levando em conta as origens, as raízes, representavam marcas aparentes e, portanto, passíveis de serem exaltadas. Dessa forma, até mesmo no exílio, mais especificamente em Portugal, o poeta não deixou de mencionar, nitidamente demarcado pelo uso dos advérbios “cá” e “lá”, que aqui até o gorjeio das aves se manifestava de forma diferente, já não falando das várzeas, dos bosques, do céu, enfim.

Resposta questão 3 – o pais é visto como um lugar único e melhor; aqui haveria mais estrelas, mais flores, mais bosques, mais vida e mais amores, ou seja, o eu lírico seria mais feliz.

Resposta Questão 4
 Alternativa “c”. As características descritas na alternativa “c” dizem respeito à primeira geração do romantismo, representada pelos poetas Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.

Reposta Questão  5 – letra A

Resposta Questão 6 – letra C

Resposta Questão 7 – cada vez mais , mas, e , ainda , pois , enquanto , que , apenas

Resposta Questão 8- para Álvares de Azevedo  o poeta é um ser marginal ao mundo, voltado para dentro de si, para o seu universo particular de desejos e sonhos. Já para Castro Alves, o poeta é um ser de compromisso social, empenhado em transformar, por meio da palavra, a sociedade em que vive.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Noite na taverna, com o conto Solfieri

Solfieri
...Yet one kiss on your pale clay
And those lips once so warm - my heart! My heart.
Byron, Cain..
Sabeis-lo. Roma é a cidade do fanatismo e da perdição: na alcova do sacerdote dorme a gosto a amásia; no leito da vendida se pendura o crucifixo lívido. É um requintar de gozo blasfemo que mescla o sacrilégio à convulsão do amor, o beijo lascivo à embriaguez da crença
Era em Roma. Uma noite, a lua ia bela como vai ela no verão por aquele céu morno. O fresco das águas se exalava como um suspiro do leito do Tibre. A noite ia bela. Eu passeava a sós pela ponte de ***. As luzes se apagaram uma por uma nos palácios, as ruas se faziam ermas e a lua de sonolenta, se escondia no leito das nuvens. Uma sombra de mulher apareceu numa janela solitária e escura. Era uma forma branca. - A face daquela mulher era como de uma estátua pálida à lua. Pelas faces dela, como gotas de uma taça caída, rolavam fios de lágrimas.
Eu me encostei à aresta de um palácio. A visão desapareceu no escuro da janela... e daí um canto se derramava. Não era só uma voz melodiosa: havia naquele cantar um como choro de frenesi, um como gemer de insânia: aquela voz era sombria como a do vento à noite nos cemitérios cantando a nênia das flores murchas da morte.
Depois, o canto calou-se. A mulher apareceu na porta. Parecia espreitar se havia alguém nas ruas. Não viu ninguém: saiu. Eu segui-a.
A noite ia cada vez mais alta: a lua sumira-se no céu e a chuva caía às gotas pesadas: apenas eu sentia nas faces caírem grossas lágrimas de água, como sobre um túmulo prantos do órfão.
Andamos longo tempo pelo labirinto das ruas: enfim, ela parou; estávamos num campo.
Aqui, ali, além, eram cruzes que se erguiam entre o ervaçal. Ela ajoelhou-se. Parecia soluçar: em torno dela passavam as aves da noite.
Não sei se adormeci: sei, apenas, que quando amanheceu achei-me a sós no cemitério. Contudo, a criatura pálida não fora uma ilusão: as urzes, as cicutas do campo-santo estavam quebradas junto a uma cruz.
O frio da noite, aquele sono dormido à chuva, causaram-me uma febre. No meu delírio passava e repassava aquela brancura de mulher, gemiam aqueles soluços e todo aquele devaneio se perdia num canto suavíssimo...
Um ano depois voltei a Roma. Nos beijos das mulheres, nada me saciava; no sono da saciedade me vinha aquela visão...
Uma noite e após uma orgia, eu deixara dormida no leito a bela condessa Barbora. Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos, gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até à última gota do vinho do deleite...
Quando dei acordo de mim, estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as
 vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o. Era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal-apertados... Era uma defunta! E aqueles traços todos me lembraram uma idéia perdida... Era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja que, ignoro porque, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo...
Sabeis a história de Maria Stuart degolada e do algoz, "do cadáver sem cabeça e do homem sem coração", como a conta Brantôme? - Foi uma idéia singular, a que eu tive. Tomei-a no colo. Preguei-lhe mil beijos nos lábios. Ela era bela assim. Rasguei-lhe o sudário, despi-lhe o véu e a capela, como o noivo os despe à noiva. Era mesmo uma estátua: tão branca era ela. A luz dos tocheiros dava-lhe aquela palidez de âmbar que lustra os mármores antigos. O gozo foi fervoroso - cevei-lhe em perdição aquela vigília. A madrugada passava já frouxa nas janelas. Àquele calor de meu peito, à febre de meus lábios, à convulsão de meu amor, a donzela pálida parecia reanimar-se. Súbito, abriu os olhos empanados. Luz sombria alumiou-os como a de uma estrela entre névoa, apertou-me em
 seus braços, um suspiro ondeou-lhe nos beiços azulados... Não era já a morte: era um desmaio. No aperto daquele abraço havia, contudo, alguma coisa de horrível. O leito de lajes, onde eu passara uma hora de embriaguez, me resfriava. Pude, a custo, soltar-me naquele aperto do peito dela... Nesse instante, ela acordou...
Nunca ouvistes falar de catalepsia? É um pesadelo horrível aquele que gira ao acordado que emparedam num sepulcro; sonho gelado em que sentem-se os membros tolhidos e as faces banhadas de lágrimas alheias, sem poder revelar a vida!
A moça revivia a pouco e pouco. Ao acordar, desmaiara. Embucei-me na capa e tomei-a nos braços coberta com seu sudário, como uma criança. Ao aproximar-me da porta, topei num corpo. Abaixei-me e olhei: era algum coveiro do cemitério da igreja, que aí dormira de ébrio, esquecido de fechar a porta...
Saí. Ao passar a praça encontrei uma patrulha.
- Que levas aí?

A noite era muito alta: talvez me cressem um ladrão.
- É minha mulher, que vai desmaiada...
- Uma mulher? Mas, essa roupa branca e longa? Serás, acaso, roubador de cadáveres?
Um guarda aproximou-se. Tocou-lhe a fronte: era fria.
- É uma defunta
Cheguei meus lábios aos dela. Senti um bafejo morno. - Era a vida, ainda.
- Vede - disse eu.
O guarda chegou-lhe os lábios: os beiços ásperos roçaram pelos da moça. Se eu sentisse o estalar de um beijo... o punhal já estava nu em minhas mãos frias...
- Boa-noite, moço. Podes seguir - disse ele.
Caminhei. - Estava cansado. Custava a carregar o meu fardo e eu sentia que a moça ia despertar. Temeroso de que ouvissem-na gritar e acudissem, corri com mais esforço...

Quando eu passei a porta, ela acordou. O primeiro som que lhe saiu da boca foi um grito de medo...
Mal eu fechara a porta, bateram nela. Era um bando de libertinos, meus companheiros, que voltavam da orgia. Reclamaram que abrisse.
Fechei a moça no meu quarto e abri.
Meia hora depois eu os deixava na sala, bebendo ainda. A turvação da embriaguez fez que não notassem a minha ausência.
Quando entrei no quarto da moça, vi-a erguida. Ria de um rir convulso, como a insânia, e frio como a folha de uma espada. Trespassava de dor ouvi-la.
Dois dias e duas noites levou ela de febre, assim.
Não houve sanar-lhe aquele delírio, nem o rir do frenesi. Morreu depois de duas noites e dois dias de delírio.
À noite, saí. Fui ter com um estatuário que trabalhava perfeitamente em cera e paguei-lhe uma estátua
dessa virgem.
Quando o escultor saiu, levantei os tijolos de mármore do meu quarto e, com as mãos, cavei aí um túmulo. Tomei-a, então, pela última vez nos braços, apertei-a a meu peito, muda e fria, beijei-a e cobri-a, adormecida no sono eterno, com o lençol de seu leito. Fechei-a no seu túmulo e estendi meu leito sobre ele,
Um ano, - noite a noite - dormi sobre as lajes que a cobriam... Um dia, o estatuário me trouxe a sua obra. Paguei-lha e paguei o segredo...
- Não te lembras, Bertram, de uma forma branca de mulher que entreviste pelo véu do meu cortinado? Não te lembras que eu te disse que era uma virgem que dormia?
- E quem era essa mulher, Solfieri?
- Quem era? Seu nome?
- Quem se importa com uma palavra quando sente
que o vinho queima assaz os lábios? Quem pergunta o nome da prostituta com quem dormiu e sentiu
morrer a seus beijos, quando nem há dele mister por escrever-lho na lousa?
Solfieri encheu uma taça e bebeu-a. Ia erguer-se da mesa, quando um dos convivas tomou-o pelo braço.
- Solfieri, não é um conto, isso tudo?
- Pelo inferno, que não! Por meu pai, que era conde e bandido! Por minha mãe que era a bela Messalina das ruas! Pela perdição que não! Desde que eu próprio calquei aquela mulher com meus pés na sua cova de terra, eu vo-lo juro! - guardei-lhe como amuleto a capela de defunta. Ei-la!
Abriu a camisa e viram-lhe ao pescoço uma grinalda de flores mirradas.

- Vedes-la? Murcha e seca, como o crânio dela.

Observações
1. Relação entre o protagonista e a jovem é macabra.
2. A jovem supostamente morta, na verdade, estava em sono cataléptico.
3. Comportamento designado de necrofilia por dois motivos:
a)já que para Solfieri, o protagonista, a jovem estava morta e tem continuação mesmo após a morte real dela quando e enterrada embaixo de sua cama
b) também pelo fato de Solfieri trazer ao pescoço as flores murchas da grinalda que a jovem levava no caixão.
4. A epígrafe do conto, de autoria de Lord Byron, alude a um beijo apaixonado nos lábios de um corpo pálido e frio.
5. Características de Álvares de Azevedo presentes no texto:
   a) medo de amar
.  b) fantasia
   c) sonho
   d) imaginação
   
6.  O tema do conto é a necrofilia, a morte, a catalepsia e o amor obsessivo.
7. Caracterização dos personagens
a) Solfieri- jovem boêmio, alcoólatra, persistente, pois que faz de tudo para alcançar o amor da mulher.
b)A MULHER AMADA POR SOLFIERI – Era como um anjo para ele, uma pessoa que sofria de catalepsia e depressão.